A cachorrinha brincalhona da praça

Olá, sou a Buba.

Sempre fui uma doguinha animada e que adora brincadeiras. Bem antes de chegar ao Paraíso, no tempo em que morava nas ruas, eu ficava em uma praça. Lá tinha um campinho de futebol, de chão batido em que umas crianças sempre brincavam. Elas levavam lanches pra mim, e deixavam eu beber água na garrafinha. Eu, como uma boa amiga, entrava nas brincadeiras. Ficava no gol ajudando o goleiro quando era futebol... Quando era queimado, ficava de juíza, pra lá e pra cá vendo se alguém ultrapassava a linha.

Meus dias eram felizes a sua maneira. Durante a semana ninguém aparecia, aí eu tinha que me virar pra achar comida. Mas nos fins de semana era uma alegria só.

Teve um dia que a bola caiu no valão que ficava perto do campinho. O baixinho e sua mania de chutar a bola forte... Eu não hesitei... Saí correndo na frente de todo mundo e pulei no valão pra pegar a bola. Me machuquei um pouco mas o importante era que a bola estava salva e as crianças não precisariam pular naquele lugar fedorento.

Na hora de subir que foi um verdadeiro sacrifício... As paredes não eram tão altas, mas escorregavam. As crianças viram que eu não conseguia subir e foram correndo atrás de uma corda. O menino mais alto deitou na beira do valão e jogou a corda em volta do meu corpo. Depois me puxou pra cima. Eu não larguei da bola e ele não me largou.

Depois que o sufoco passou o menino me levou até a casa dele, me deu comida e um banho. Quando a mãe dele chegou ficou furiosa com a bagunça e me jogou pra fora. Eu ficava voltando... Queria ficar com o menino! Gostava dele! Aí ela me levou até um lugar bem distante e me largou perto de uma casa que tinha uma árvore bem grande. Nessa casa tinham outros três cãezinhos e eu fiquei lá por um tempo... Mas a família foi embora e abandonou a gente.

Eu nunca mais consegui voltar pra minha pracinha. Nunca mais vi as crianças... Mas guardo na memória aqueles dias incríveis de fim de semana. Ainda bem que o destino reservou algo bom pra mim... Fui resgatada daquela casa e hoje estou aqui na ong. Sendo paparicada pelas tias.